Posted in Uncategorized on Janeiro 9, 2010 by sinandlove

Havia um excerto de um poema de cujo autor não me lembro, mas que muitas vezes me anima… Partilho-o para que todos possam ver como palavras tão simples têm um alcance tão profundo.

“Quando a vida te doer,
Canta, canta, canta..
Pois ninguém tem de saber,
Que tens um nó na garganta”

Muros Das Lamentações

Posted in Uncategorized on Janeiro 9, 2010 by sinandlove

Nunca tive uma personalidade dotada para lidar elegantemente com as frustações. Quando tenho um daqueles dias negros em que odeio as pessoas e me odeio a mim própria fico mesmo insuportável, vou alimentando um puéril desejo de parar o mundo enquanto eu me recomponho e despejo a minha fúria em qualquer inocente que me possa melindrar. Ora, a única solução é fechar-me entre quatro paredes até passar, fingindo que pedi uma pausa ao correr frenético do tempo ou então mergulhar numa total ausência de tempo… Esta é uma medida bem necessária a todos aqueles tolos que, como eu, não conseguem democratizar as suas fragilidades, só os seus triunfos;e, talvez por isso, sejam sempre tão solitários nas suas tristezas sofrendo ao quadrado, cientes de que os outros desconhecem as suas quebras, podendo voltar resplandescentes e sem mácula quando a nuvem negra passar. Mas o facto é que nunca voltamos iguais depois de uma perda, sempre que vai embora algo de importante na nossa vida, uma parte de nós definha também e por isso voltamos ao mundo como uma versão transfigurada de nós mesmos.
Nada posso fazer, sou mesmo assim, nunca partilho o que é mau, as desgraças ficam comigo até ter forças para me levantar sozinha à custa da minha estouvada máscara de imunidade. Apesar de lidar mal com essa realidade das minhas muitas fraquezas, ou com o peso de alguns erros, não crei que os não saiba combater apenas os deixo sufocar até as memória não querer guardar mais e, por fim, libertar-me…

A ganância das almas

Posted in Uncategorized on Dezembro 12, 2009 by sinandlove

Passamos a maior parte da nossa vida na ânsia da conquista, por vezes, tão desenfreados que nem sabemos ao certo o que queremos conquistar. Eu sou uma das que sofre muito desse mal de querer absorver tudo o que vejo, de querer tornar as coisas um pouco minhas, de conquistar… No fundo penso que isso se deve ao instinto primitivo que o ser humano sente pela posse, cujas manifestações não se dirigem apenas a elementos corpóreos, mas também a abstrações como a necessidade imperiosa de aprisionar as almas dos que nos rodeiam em nós próprios. Não tenho a certeza que se trate de uma necessidade má porque muitas vezes se ampara numa vontade de proteger e amar, no entanto pode ser a coisa mais patológica do mundo se nos depararmos com um profissional coleccionador de almas, que tem de alimentar o seu espírito com a submissão daqueles que seduz, que enreda…

Um sítio para me perder

Posted in Uncategorized on Dezembro 12, 2009 by sinandlove

Paris é a cidade mais fantástica que conheço, é o melhor remédio para a desilusão ou para a descrença… Entrando no espírito da cidade tudo se transforma em nós. Parece rídiculo conceder um tamanho poder regenerador a um lugar, mas, de facto, a minha alma jovem e alucinada encontra calma nas ruas de Paris; por isso, costumo dizer que é o único local em que me sinto bem sozinha. Consigo sentir uma força telúrica que até já me curou quando eu pensei que estava a viver um grande amor… Irónico que tenha sido na cidade dos amantes que cimentei a desconfiança de que não vou ver passar pela minha vida um amor suficientemente grande para ser o único.
Então, sempre que uma obstinada tristeza teima em substituir a minha característica euforia eu apanho o voo para Paris e aí equilibro o meu ânimo.
Não é pela beleza da expressão que lhe chamam a Cidade Luz, quem assim a denominou sentiu que de facto Paris nos ilumina, ou melhor, que põe na ordem as trevas em que todos temos de mergulhar de quando em vez, diz á melancolia que acabou o seu tempo e que enquanto não entrarmos no avião de regresso ela também não poderá regressar…

Quem escuta?

Posted in Uncategorized on Setembro 19, 2009 by sinandlove

É grave o episódio com rasgos de série de espionagem que ontem envolveu os dois mais altos representantes do nosso país. Qualquerdas versões, embora possa não haver nenhuma verdadeira, constitui um cenário rocambulesco capaz de ensombrar a paz democrática, se após as eleições que se avizinham Cavaco e Socrátes tiverem de prolongar a sua convivência.
No entanto, tudo não deve passar de uma novela de campanha eleitoral que deve, pelo menos, alertar para a necessidade de estabilizar as relações institucionais.
Resulta de tudo isto a certeza de que é inesgotável o manancial de estratégias políticas; haja audácia que nada é impossível! Na verdade, nenhum dos senhores fica bem na fotografia, parecem uns meninos mal comportados em disputa constante.
Quer seja o nosso primeiro -ministro a tentar escutar, quer seja o presidente a fazer queixas aos jornalistas sedentos para as ouvir e empolar, fica a suspeita que nem um nem outro estão à altura do poder sem recorrer à conspiração como principal conselheira. E estar à altura do poder não é fácil!
Mas sejamos optimistas, o caso pode ser simples, afinal depois de o nosso primeiro ministro ter ganho o título de mais sexy, pode ter sido confundido com um James Bond português, vocacionado para espiar Belém com muito charme.

Posted in Uncategorized on Setembro 15, 2009 by sinandlove

De facto, a Madame Bovary de Flaubert devia ser uma leitura obrigatória para todas as mulheres que se sentem presas e na ansiedade absoluta da libertação, seja do que for ou seja de quem for. Há uma passagem no livro que transmite bem como o tédio pode ser o maior sufoco para o espírito e para o corpo. Veja-se:

“Aliás quanto mais as coisas lhe estavam próximas mas o seu pensamento se distanciava delas. Tudo o que imediatamente a rodeava, campo aborrecido, pequenso burgueses imbecis, mediocridade da existência, lhe parecia uma excepção no mundo, um acaso particular a que ela se achava presa enquanto para além se perdia de vista o imenso país da felicidade e das paixões. Não seria preciso para o amor, como para as plantas indianas, terrenos preparados, uma temperatura particular?”

O preço da transgressão

Posted in Uncategorized on Setembro 15, 2009 by sinandlove

Há um pensamento ainda presente na sociadade do século XXI segundo o qual sempre que existe uma transgressão por amor; seja uma traição que ofenda os deveres matrimoniais ou uma atitude trocista perante os valores sociais dominantes, deve ser a mulher transgressora a pagar o preço. Muitas vezes é a própria mulher que se predispõe à culpabilização e se deixa enfraquecer, entendendo no seu íntimo que não deveria ter saído do apertado espartiho do seu ambiente de conforto.
A literatura clássica insistiu neste estigma até à exaustão.
Eça de Queiroz fez com que o castigo para o “Crime do Padre Amaro” fosse a morte de Amélia; depois também a Luísa do “Primo Basílio” acabou morta enquanto que o eficiente conquistador passeia pelas ruas de Lisboa considerando a sua malograda amante como “um trambolho” que apenas servia “como higiene para os poucos meses que passaria em Lisboa”.
Os Classicos estrangeiros seguiram a corrente de fatalismo e Tolstoi deu à bela Anna Karenine uma morte sangrenta debaixo de um comboio. Assim como a Madame Bovary de Flaubert que embora perdoada pelo marido traído não foi poupada a umas febres fatais.
No tempo da modernidade a tragédia deve ser aliada ao belo e na vida real o fim de uma paixão, o fim do prazer deveria sempre saldar-se numa batalha sem vencedores em que os sacrificios devem ser suportados em partes iguais. O sofrimento de apenas um dos apaixonados torna qualquer paixão desiquilibrada, pois se conclui que apenas um amou.

A terapia

Posted in Uncategorized on Setembro 4, 2009 by sinandlove

Muitos dos rituais e motivações que enquadram o escorting, são caracterizados por uma espécie de terapia.
Cada cliente procura um tipo de envolvimento diferente, por isso, uma acompanhante assemelha-se a uma psicologa, é uma perita da mente humana em saltos altos e vestidos justos, much more fun… A postura de uma verdadeira acompanhante de luxo não há-de ser a acumulação de clientes, não pode ser uma visão quantitativa e de lucro porque então corre-se o perigo de encontrar esses fanfarrões que apenas querem aumentar a sua lista de aventuras sexuais e tal encontro há-de ser completamente frustrante para qualquer senhora que goste de ser tratada como tal. Eu escolho o nível social e cultural dos meus clientes e não escondo que sou cada vez mais criteriosa na minha selecção; faço-o porque gosto do jogo da sedução e amo a vida, quero acima de tudo sentir prazer e sem haver empatia não nada para partilhar nem há prazer algum que se possa ter. Por isso, continuo a não conhecer muitos dos potenciais clientes que me contactam, porque sei que não poderá haver envolvimento e para mim uma acompanhante de luxo deve proporcionar experiências exclusivas reservadas aos raros cavalheiros que se movem com fluência nos ancestrais códigos de uma cortesã.
Quando um homem vem até mim entra num processo de terapia, cura desanimos, satisfaz desejos e muitas vezes desnuda alma. Sim, por estranho que possa parecer tenho clientes que passam uma tarde interira comigo e muitas vezes não há sexo, porque a fase física já faz parte de um segundo plano da relação e porque entendem que é melhor pagar os meus honorários por uma tarde do que entrar no cinzentão consultório do psicólogo. Não há dúvida, uma acompanhante de luxo é uma terapeuta!
De facto, não é estranho o poder das antigas cortesãs nas intrigas palacianas e nos jogos políticos, era claro que aquilo que os estudiosos conselheiros demoravam a conhecer já elas haviam intuído há muito, porque os seus amantes se apresentavam numa nudez de corpo e alma, sem disfarçes para os seus desejos, exibindo assim o que o mundo fora dos lençois não poderia ver.

I love all the sad songs

Posted in Uncategorized on Setembro 3, 2009 by sinandlove

A desgraça dos invejosos

Posted in Uncategorized on Agosto 27, 2009 by sinandlove

Pois é, de facto, o mal da inveja está espalhado na atmosfera e manifesta-se sem pré aviso e sob as mais diversas identidades. Tenho visto muitos exemplos e todos me espantam seja por serem ostensivos, seja por serem tão falsamente subtis. Mas de qualquer forma, já começo a ter o faro treinado para identificar um invejoso…
Há poucos dias recebi um email de uma senhora revoltada, provavelmente consigo mesma, chamando-me todos os nomes, mesmo sem eu a conhecer, veja-se, porque sou uma “dessas putas desavergonhadas que ganham muito dinheiro, não pagam impostos e ainda por cima desencaminham os maridos fieis”! Cuidado, minhas caras colegas, pode andar por aí uma senhora de meia idade com uma faca na liga a tentar liquidar meninas belas e inteligentes como nós, que de tão boas que somos nem pagamos impostos!
Quanto à encantadora senhora que se deu ao trabalho de me enviar um email sem sequer me conhecer, fique descansada, nenhuma escort lhe levará o marido, porque não andamos por aí com o propósito inconfessado de destruir lares, quanto aos impostos, minha querida amiga, faça queixa ao engenheiro Sócrates…!

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